Isto das amizades deixou-me a pensar, e não é muito bom quando isso acontece porque pode correr muito mal.
Quando era pequenina vivia num bairro que tinha um largo para se brincar, tinha amigos, eram todos mais velhos do que eu, mas eu era a princesa, havia o Nuno, a Patrícia, o Mauro, o Ricardo e mais alguns cujos nomes já não me lembro. Brincamos muito entravamos e saímos por janelas, os vãos dos prédios eram o nosso esconderijo, tínhamos bruxas que matavam miúdos, tínhamos avozinhas, tínhamos adultos que se metiam connosco, tínhamos uma cascatinha (eu pedia e nunca ficava com dinheiro), tínhamos pão todas as tardes que a padeira nos dava, tínhamos uma quinta e havia os nossos brinquedos, regra geral brinquedos que eram pedidos à minha mãe coisas de meu extremo interesse como skates, trotinetes, patins, bicicletas tudo de grande interesse e a minha mãe lá dava porque sabia que senão o fizesse eu ficaria sem o meu carrinho das bonecas que também serviria de meio de transporte para descer a rampa. Eramos felizes.
Hoje ainda falamos, alguns deles ficaram demasiado importantes com os seus cursos superiores e a vida separou-nos mas quando nos reencontramos somos outra vez crianças. O que é mesmo um amigo de sempre e para sempre é o Mauro que esteve comigo na noite mais difícil da minha vida, e que além do mais me limpou as lagrimas e disse que estaria sempre ali e está essa é a realidade. Esse foi ficando, os outros também mas de maneiras diferentes.
Quando fui para a escola tive uma grande amiga, tipo best friend for life, era a Inês, lembro-me dela era morena, cabelos escuros, olhos negros. Ainda na escola zangamo-nos e nenhuma de nós deu a volta à situação. Da escola foram ficando alguns amigos/conhecidos, mas poucos. Ficou o Hugo que era um irmão mais velho sempre protetor dava-me gomas, levava a lanchar, levava para o centro de estudos mas foi sempre uma pessoa com um ego enorme e eu lido mal com isso, mas ainda hoje falamos e a vida voltou-nos a juntar uns anos mais tarde não por boas razões mas o importante é que rimos e tratamos juntos da "nossa" avó, fizemos a mesma parceria que ela fez para tomar conta de nós.
No entretanto no instituto fiquei com dois grandes amigos a Inês e o Pedro. A Inês está a quilómetros de mim, com um feitio difícil, e afastamo-nos. O Pedro é aquele amigo ausente, sem mensagens, sem estar sempre presente, mas quando estamos juntos a conversa continua no mesmo sitio onde a deixamos nos meses anteriores.
Já na faculdade a conversa foi outra, tínhamos o nosso grupo eramos cinco, e fizemos as nossas asneiras, ao ponto de professores nos sentarem em sítios diferentes. Ninguém entrava no nosso grupo, eramos o núcleo duro, o Pedro, o Ricardo, o Frederico, e a Sara. Como fomos felizes e como nos rimos e como almoçamos panikes vezes sem conta, e como fomos fumando, melhor o Pedro fumava e nós assistíamos. Eu fiz amigos na faculdade, e bons amigos e foi muito feliz lá.
Mais tarde foi sendo um entra e sai de pessoas, algumas entraram e saíram logo, poucas permaneceram. Conheci muita gente, as últimas pessoas que conheci foi o David e a Joana, o casal mais giro e sexy que conheci, pessoas excelente com um coração do tamanho do mundo. Adotei-os com todo o meu coração, tenho uma divida de gratidão eterna. Com a Joana as coisas foram acontecendo ela eliminou logo as barreiras todas, fumamos tanto juntas, choramos, rimos, partimos telemóveis, aprendi tudo o que sei de enfermagem, aprendi a tratar da minha avó, e aprendi que a expressão "Oh meu amor" só tem significado quando ela o diz, com aquela voz doce dela. O David foi difícil de conquistar, um lutador nota-se na sua distância, na sua ausência, mas com o tempo tornou-se a pessoa com o sorriso mais fácil que eu já vi, o enfermeiro que mais animação trazia aos cuidados continuados e o mais louco, tem um jeito único de ser, distante mas atento e com um sentido de humor oportuno, e apaixonado pela princesa dele, pela menina dos seus olhos, como eles são felizes e como me fazem felizes quando estou com eles.
Afinal, que isto já vai longo tive e tenho bons amigos. Não dou é espaço a pessoas que não merecem e assim continuo fria e distante. E tu Sara que amigos tens tu?